Crediário próprio na loja de celular: como funciona na prática
Crediário próprio é a loja financiar a compra com o capital dela, sem banco e sem cartão: ela define a política de crédito, emite o carnê em nome próprio e assume o risco de inadimplência — em troca de não pagar antecipação e de conseguir vender para quem não tem limite no cartão.
Quem vende smartphone conhece o teto do cartão: a maquininha resolve o parcelado de quem já tem limite, cobra antecipação para adiantar o dinheiro e recusa exatamente o cliente que mais quer comprar. O crediário próprio é a saída antiga para isso — a loja vira a financeira da própria venda.
Antigo não quer dizer simples. O que segura um crediário não é a venda, é o que vem depois dela: contrato, carnê, lembrete, baixa, conciliação e cobrança. Esta página descreve a operação inteira, com os números que dá para conferir.
O que muda em relação ao cartão e à maquininha
No cartão, a administradora assume o risco e cobra por isso: a taxa do parcelado mais a antecipação, que na prática é o custo de receber hoje o que vence em doze meses. A loja recebe menos e não escolhe para quem vende — quem escolhe é o limite do cliente.
No crediário próprio a conta se inverte. A loja recebe o valor cheio de cada parcela, sem antecipação, e passa a decidir a política: entrada mínima, prazo máximo, faixa de aprovação. Em troca, assume o risco de não receber e o trabalho de cobrar.
O que a loja passa a controlar
- A entrada mínima e o prazo, por faixa de risco.
- O juro embutido na parcela, calculado pela Tabela Price.
- Quem aprova cada venda e até que valor, pela alçada.
- Quando e como o cliente é lembrado do vencimento.
- O que acontece no primeiro, no terceiro e no décimo dia de atraso.
O que a operação exige para não virar planilha
Uma carteira de crediário é um conjunto de datas. Cada venda vira de seis a doze vencimentos, cada vencimento vira um lembrete, um pagamento e uma baixa, e um mês com trinta vendas ativas já passa de trezentas datas para acompanhar. É esse volume que quebra o controle em caderno ou em planilha — não a primeira venda, a trigésima.
O mínimo para operar sem depender da memória de ninguém: cadastro do cliente com documento e autorização registrados, análise que organize a decisão, contrato que não possa ser alterado depois de assinado, carnê que o cliente consiga abrir sozinho e uma régua que fale com ele antes do vencimento, não só depois.
Onde o dinheiro cai
É a pergunta que decide tudo. Numa operação de crediário próprio, o dinheiro da parcela tem de cair na conta da loja. Se ele passa por um intermediário que depois repassa, a loja trocou risco de inadimplência por risco de contraparte, e ainda perdeu o controle do próprio extrato.
Na Vezqo, cada parcela vira um PIX emitido na conta que a própria loja conectou. A plataforma emite a cobrança e concilia o pagamento; o valor nunca passa pela nossa conta e não temos acesso ao extrato da loja. Sobre cada pagamento processado dentro da plataforma incide uma taxa total de 2,49%, já com a parte do provedor, descontada na própria transação e exibida em reais na tela antes de emitir — e a loja escolhe se absorve a taxa ou se a repassa ao cliente.
Os riscos, ditos por inteiro
O crediário próprio concentra na loja três riscos que o cartão diluía. O primeiro é o de crédito: parte da carteira não vai pagar, e a política tem de ser desenhada supondo isso, não torcendo contra. O segundo é o de caixa: o dinheiro da venda entra em parcelas, mas o aparelho foi comprado à vista — carteira crescendo rápido demais quebra loja lucrativa. O terceiro é o jurídico: contrato, juros e cobrança são regulados, e uma cobrança mal feita custa mais do que a parcela.
Não existe software que elimine esses três. O que dá para fazer é tornar cada um visível: carteira por idade de atraso, quanto entra e quanto vence, contrato imutável com trilha do aceite, e uma régua cujo texto e cujos horários a loja consegue ler antes de ligar.
Perguntas frequentes
- Preciso de autorização do Banco Central para ter crediário próprio?
- Venda a prazo pela própria loja, com recursos próprios e sem intermediação financeira de terceiros, é operação comercial, e não instituição financeira. Financiar terceiros ou captar dinheiro de investidores é outra coisa. Como o enquadramento depende do desenho exato da sua operação, confirme com o seu contador e com o seu advogado antes de começar.
- Qual entrada mínima faz sentido?
- A entrada é o que cobre o prejuízo do primeiro calote. Lojas costumam trabalhar entre 20% e 40% do valor do aparelho, mais alta quanto menor a nota de risco. Na Vezqo a entrada mínima é parte da política por faixa, e a simulação recusa a venda que a desrespeita.
- Dá para migrar uma carteira que já existe em planilha?
- As vendas em andamento continuam onde estão; a plataforma passa a valer da próxima venda em diante. Para a régua de cobrança existe uma janela de recuperação ao ligá-la sobre uma carteira já existente, para que ela não dispare de uma vez todas as mensagens que deixaram de sair no passado.